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Nós Entre Nós
Tipo de projeto
Editorial
Data
2017
Local
Porto Alegre, RS
Encontrar o caminho entre ser e estar, buscando o entendimento que norteia o
figurino ao passo que retrata as relações humanas, suas intolerâncias e
intermitências. Criar uma articulação que possibilite os atores estarem disponíveis,
como num jogo cênico, para que transitem entre diversas passagens históricas onde
a intolerância do ser humano acabou por desumanizá-lo, aproximando-nos cada vez
mais do animal e menos do racional.
Pensamos em dois contextos: o primeiro composto por uma espécie de
armadura social, onde os atores se mantenham visualmente enrijecidos mesmo que
vestidos com flexibilidade. Para dar vida à este conceito pensamos em um kimono
de judô, construído por tiras de banners tramadas como uma tapeçaria, vestindo
essas figuras para uma competição geracional com regras claras e bem delimitadas,
porem visualmente rígidas e desprovidas de flexibilidade. O segundo contexto é
composto por roupas de tule com elastano – que serão manchadas e vestidas por
baixo dos kimonos rijos – onde grande parte dos corpos fica à mostra o tempo todo.
Em contradição ao primeiro contexto, este figurino mostra um corpo ágil, flexível e
invariavelmente frágil, ao mesmo tempo que contaminado socialmente pelos
resquícios das construções sociais mal estabelecidas.
Para construção desse figurino a cor cinza se faz muito pertinente, pois é
formada da mistura entre os extremos: preto e branco. O cinza é uma cor sem força.
Nele, o nobre branco está sujo e o poderoso preto está enfraquecido. Por se tratar
de uma cor intermediária entre o branco e o preto, o cinza pode assumir várias
tonalidades e por esse motivo, assumir características do branco ou do preto
dependendo da sua intensidade. Como não tem uma carga emotiva, é
frequentemente caracterizada como uma cor sem movimento, mas, ao mesmo
tempo, por ser neutro, também é identificado por ser dotado de compostura, solidez
e estabilidade. Essa cor também está associada à velhice, ao esquecimento e ao
passado. Remete aos sentimentos sombrios, sendo considerada a cor de todas as
adversidades que destroem a alegria de viver. Os dias de carnaval, por exemplo,
terminam com a quarta feira de cinzas. Cinza é a cor do inamistoso, do mau tempo,
do terrível, do cruel e insensível, mas também é a cor das inúmeras possibilidades,
da pluralidade.







